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Conheça a história da médica que perdeu 3 gestações e criou banco de leite pioneiro em MG

Conheça a história da médica que perdeu 3 bebês e criou o banco de leite de Juiz de Fora Foi após perder três bebês, uma delas já aos oito meses de gest...

Conheça a história da médica que perdeu 3 gestações e criou banco de leite pioneiro em MG
Conheça a história da médica que perdeu 3 gestações e criou banco de leite pioneiro em MG (Foto: Reprodução)

Conheça a história da médica que perdeu 3 bebês e criou o banco de leite de Juiz de Fora Foi após perder três bebês, uma delas já aos oito meses de gestação, que a então médica recém-formada Eliana Martins de Souza decidiu estudar o aleitamento materno. O que começou como uma tentativa de transformar a própria dor se tornou uma trajetória de mais de três décadas dedicada à amamentação e uma referência no assunto no Brasil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Neste mês do Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno, o g1 conta a história da médica que criou o Banco de Leite Humano de Juiz de Fora (BLH), o primeiro do Brasil fora de uma maternidade. O serviço completou 35 anos de existência em maio deste ano. Após perdas de bebês, a pediatra Eliana Martins de Souza idealizou o Banco de Leite em Juiz de Fora Arquivo Pessoal “Nas duas últimas perdas, tive leite e não tive bebê. Eu não tinha nenhuma comorbidade, minha bebê estava praticamente nascendo e morreu. Na época não tinha UTI em Juiz de Fora. Tive muito leite, e o médico me sugeriu uma injeção para secar o leite. Também tive mastite [inflamação do tecido mamário], precisei fazer ordenha. Fiquei muito depressiva e traumatizada”, relembrou. “Mas com o meu sofrimento de mulher, de médica, comecei a estudar sobre amamentação. Hoje, vendo o que o Banco de Leite faz para as mães doadoras e receptoras, chego até a me emocionar, pois na época fiquei conhecida como a pediatra maluca que perdeu os bebês”. Do luto à luta Daquela época, a médica também se recorda do luto de toda a família, inclusive do filho Felipe, que sonhava em ganhar um irmãozinho. “Meu filho, que hoje é médico também, foi meu primeiro bebê. Depois dele, perdi os outros três. Lembro dele dizer que 'mãe, eu gosto tanto quando você fica grávida, mas você sempre perde'. Então ele sofreu muito, porque já era grandinho. Isso mexeu muito com a nossa família”, disse. “Essa história tem um pedacinho dele também. Como eu sempre falo com ele: ‘Você é o meu sobrevivente, meu guerreiro que me fez continuar’.” Eliana com o filho Felipe, que também é médico Arquivo Pessoal Meses depois da última perda e de dias severos de luto, Eliana participou de um congresso de pediatria em Belo Horizonte e começou a se aprofundar nos estudos sobre aleitamento materno. “Dali recebi um convite para conhecer o serviço do banco de leite de Betim. Um ano depois eu estava inaugurando o banco de leite de Juiz de Fora, o primeiro do Brasil fora de uma maternidade. Naquela época eram pouquíssimos bancos no Brasil e um grande avanço para Juiz de Fora. Lembro que a inauguração do banco foi na comemoração do aniversário de 140 anos da cidade”. Aos poucos, foi ampliando a formação e a atuação na área. “Nessa ‘maluquice’ de querer estudar tudo sobre o assunto, conheci a presidente da Unicef na época, fiz cursos das iniciativas do ‘Amigos da Criança’ e uma especialização nos Estados Unidos para ser consultora internacional sobre aleitamento materno”. Ao longo da carreira, também treinou bombeiros para fazer a coleta de leite, carteiros para o projeto ‘Amigos da Amamentação’ e participou de avaliações de hospitais para a implantação de novos bancos de leite no país. A médica homeopata e pediatra também escreveu dois livros sobre o assunto, voltados para mães e profissionais de saúde: Mãe leoa e Peito aberto. A pediatra Eliana Martins de Souza é especialista em aleitamento materno Arquivo pessoal Inspiração para outras mulheres A história da mulher por trás do jaleco também inspira outras mães. Mais de 35 anos depois, a médica ainda se emociona ao lembrar da própria trajetória e diz que nunca imaginou chegar tão longe. “Eu só sabia que eu queria montar um serviço para que nenhuma mulher passasse pelo que eu passei, para que nenhuma mulher sentisse a tristeza que eu senti, de ter leite e não ter um bebê para amamentar”. Ela se recorda que, mesmo aprovada em um concurso para o Exército, decidiu não assumir a vaga para se dedicar ao banco de leite. “Realmente passei a ficar muito focada e fissurada com isso. Era como se o banco de leite fosse os meus filhos", disse. Médica Eliana Martins de Souza teve quatro gestações e perdeu três delas Arquivo Pesoal "Hoje continuo levantando esta bandeira no consultório e no meu perfil nas redes sociais, preparando as mulheres para amamentar e cuidar dos filhos, apoiando em todas as fases da maternidade". Como é e como funciona o Banco de Leite Além de coletar, pasteurizar, analisar e distribuir leite humano para hospitais e bebês doentes e prematuros, o Banco de Leite também orienta e apoia mulheres durante a amamentação em Juiz de Fora e região. A doação de leite materno pode ser feita por mulheres que estejam amamentando, tenham produção de leite excedente, estejam saudáveis e não façam uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação. O cadastro das doadoras pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp (32) 3690-7436. Depois, o leite é coletado uma vez por semana na casa da doadora, que recebe novos frascos esterilizados para as próximas doações. O Banco de Leite fica no Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e do Adolescente, no 3º andar do número 772 da rua São Sebastião. O atendimento presencial é feito das 7h às 18h, de segunda a sexta-feira. MG Responde: especialista tira dúvidas sobre amamentação LEIA TAMBÉM: Mãe e filho enfrentam esclerose múltipla juntos: 'Vivemos um dia de cada vez' Cromossomo do amor: mães da Zona da Mata contam os desafios, busca por inclusão e maternidade descomplicada dos filhos com Síndrome de Down VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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